A Indústria do Videogame – parte 1

Publicado originalmente em 15 Junho 2007 no site Noite/Cia.

Olá pessoal, neste primeiro artigo eu gostaria de falar um pouco sobre a indústria do videogame, assunto que considero de interesse de todo o marmanjo(a), e que felizmente é o meu ganha pão. Mas para isto, vou começar contando uma pequena historia para vocês.

Eu suspeito que em 1966 o alemão Ralph Baer não imaginava que sua invenção, uma caixa marrom que tornava o aparelho de TV interativo, mudaria para sempre o significado da palavra entretenimento. Depois de muito trabalho aperfeiçoando sua idéia, em 1972, Ralph, com a ajuda da empresa MagnaVox, lança o Odissey, o primeiro console de videogame da história.

Anos depois, em 1977, uma empresa chamada Atari, acredito que conhecida de todos vocês, famosa desde 1970 por seus jogos para arcade (os fliperamas aqui para os brasileiros) lança também o seu console, conhecido por Atari 2600. Com uma grande variedade de jogos, disponíveis em forma de cartuchos, o aparelho alcança rapidamente uma grande popularidade e logo se espalha por todo o mundo: um pedido confirmado na lista de natal de qualquer criança naquela época.

Em 1980, empresas hoje muito conhecidas, começam a participar no desenvolvimento de jogos para os consoles ativos no mercado, entre elas: Nintendo, SEGA e Namco, esta última criadora do sucesso de vendas Pac-Man.

Ninguém poderia prever que a parente vantagem tornar-se-ia uma faca de dois “games”. Uma lista interminável de jogos seria a responsável pela quase quebra da jovem indústria em 1983. Títulos sem criatividade e muito parecidos, somados ainda a aparição dos PC´s (computadores pessoais) como o MSX, por um preço bastante atraente, fizeram o público perder o interesse pelos consoles caseiros.

Neste cenário desanimador, em 1985, a Nintendo of America lança o console de terceira geração NES (Nintendo Entertainment System) e mostra que o segredo do sucesso estava na combinação de tecnologia e jogos de qualidade. Um deles, um ícone da industria até hoje, o bigodudo encanador Mario. A rival SEGA, também ativa no mercado na época, faz o mesmo e lança o console Master System.

A partir deste momento a indústria de jogos começou a se mostrar, não só estável, como também muito rentável. O reinado da Nintendo se estendeu por mais uma década. Em 1991, lança o Super NES, quarta geração de consoles, que concorria com o já lançado Mega Drive da SEGA.

As duas próximas gerações podem ser destacadas pela liderança de novatas neste mercado. Na quinta geração um destaque deve ser dado a empresa Sony que entrou na briga para ganhar com seu PlayStation. A geração seguinte foi marcada pelo ingresso da gigante Microsoft no mundo dos consoles com o seu “quase” computador X-BOX, porém a Sony manteve o pódio com a nova versão do console anterior, o Playstation 2.

Atualmente a sétima geração esta dividida entre as três grandes maiores empresas do ramo, Sony (Playstation 3) Microsoft (X-Box 360) e a Nintendo, novamente entre as grandes, com o seu inovador Wii.

Bom, se olharmos para este resumo da história dos videogames podemos perceber que em 30 anos os jogos de entretenimento passaram por sete grandes mudanças, sete saltos tecnológicos, mesmo que cada vez menores, ainda sim bastante significativos. Mas o que isso trouxe de benefícios para nós? Será que toda esta tecnologia fica limitada somente ao entretenimento, a proporcionar algumas horas de lazer para o homem? Ele não pode ser visto como uma forma de arte ou até um novo paradigma educacional? Poderia ser utilizado para fins militares?

Autor: Everton Vieira Ver todos os posts de
Sou Bacharel em Análise de Sistemas pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel) no ano de 1999. Minha paixão por games é de longa data. Porém, em 2003 tornei essa paixão uma profissão. Durante oito anos atuei como Game Designer e Arquiteto de Software em mais de 30 projetos de Serious Games (simuladores) para grandes empresas do país. Atualmente sou sócio-fundador da Izyplay Game Studio, onde exerço o cargo de Diretor de Criação. Além do envolvimento corporativo, também participei da organização da Pós Graduação em Arquitetura e Desenvolvimento de Jogos Digitais na FATEC SENAC Pelotas. Minha área de interesse e especialização é Game Design e Inteligência Artificial.

Um comentário em "A Indústria do Videogame – parte 1"

  1. TiagoFrossard 23/09/2008 at 01:19 - Reply

    Fala Everton. Gostei de saber que o artigo sobre o MVC te interessou. Estou sempre disposto a bater um papo sobre padrões e acredito que tenho muito o que aprender com vc que já está no mercado. Caso use, pode me encontrar no msn no endereço [email protected]~

    Ah, boa sorte com o blog! Tenho certeza que tem tudo para ser um sucesso. São poucos os que falam da área enfrentando os problemas dela!

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