Como Contar Uma Boa História (Parte 1)

Sherazade 1 refeita

Ok, pessoas!
Desta vez vou mudar um pouco o rumo…
Agora vou falar do que a Bárbara faz de melhor!
O que é isso? Bom… eu escrevo histórias (desde criancinha e quando ficar rica vou fazer isso em tempo integral :D ).

Ao longo dos meus anos de escrita e re-re-reescrita de várias histórias, aprendi empiricamente que quanto mais infeliz e ferrado (ferrado é palavrão?) um personagem for, mais a gente gosta dele.
Também aprendi que é muito frustrante ler uma história sem pé nem cabeça (muito obrigada Marvel Comics!), mas também que é bem mais divertido conhecer uma história com sentido do começo ao fim, quando ela é apresentada fora da ordem.

MAS como eu não tenho a pretensão de ser The Best at What I Do, vou falar mais sobre isso com o respaldo de David Howard e do Edward Mabley, que escreveram um livro no qual esbarrei quando tinha meus 15 / 16 anos e validou essas minhas hipóteses.
O livro se chama “Teoria e prática do roteiro” (Editora Globo), e é um manual de roteiro para cinema e televisão, que pode perfeitamente ser adaptado para os games.

Eles dizem que toda história bem contada tem um protagonista e que ele nem sempre é um personagem simpático. O importante é que possamos sentir empatia por ele, mesmo que não seja totalmente.
A chave está em enxergar o sofrimento humano por dentro dele.
(Talvez seja verdade que nós, seres humanos, gostamos da desgraça alheia! :) )
Para isso, ele tem que querer alguma coisa desesperadamente e tomar uma atitude em relação a isso, mesmo que seja impedir que algo aconteça ou tentar não fazer nada.
Porém, não será nada interessante ter um personagem qualquer fazendo algo (ou fazendo nada) se esse algo não for difícil de se fazer.

“Se o personagem não estiver muito interessado em alcançar o objetivo, se a façanha for fácil demais, ou se for impossível, não há drama. Portanto, pode-se dizer que uma boa história gira em torno de um personagem por quem o público sente uma certa empatia, personagem essa que deseja algo muito difícil, porém possível de alcançar”.

Além disso, é importante a todo tempo ter o público do seu game em mente.
É claro que isso não quer dizer que só pode fazer o que acha que ele quer. Essa atitude provavelmente iria tornar tua história cheia de clichês e nada envolvente (e deixemos esse trabalho para as grandes produtoras ;) ).
Ter o público em mente quer dizer conseguir fazer com que ele se importe com os personagens e o desenrolar da história, ou seja, manipular (positivamente) a maneira como o público vivencia a história.
E neste ponto, da vivência, nós saímos na vantagem em relação aos roteiristas de TV e HQ. Nossa mídia, o jogo, é interativa, o que aumenta em muito a imersão (lembrando que aqui deve ser muito bem trabalhada a questão da jogabilidade, senão o tiro pode sair pela culatra).
E se pensarmos num jogo onde a trama é um dos elementos de destaque, o que o jogador sabe, quando fica sabendo, o que ele pode antecipar, o que ele pode imaginar a respeito e o que o surpreenderá, pode tornar o jogo “indesgrudável”.

E por fim, o fim tem de ser satisfatório (o que não significa que será um fim feliz).

Tudo muito simples, não é?
Fica mais simples ainda com algumas técnicas. Pode ser que eu conte para vocês mais tarde…

Vai depender de vocês me contarem o que acharam desse texto!

“Por hoje é só pessoal!”

Confiram a parte 2.

Autor: Bárbara Bueno Ver todos os posts de
Sou Bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade do Vale do Sapucaí (Univás), Coach pelo Instituto Brasileiro de Coaching - IBC e, além de exercer as atividades de coach e assessora administrativa e contábil como autônoma, atuo no mercado de personalizados como sócia-diretora da Bigcat Artigos Personalizados. Explorando minha veia artística, tive alguma experiência na realização de projetos gráficos, impressão off-set e, em projetos escolares, no processo de criação e edição de vídeos educativos. Contudo, meu ponto forte reside na escrita, desenvolvida desde a infância e premiada pelo SESC Santo Amaro em 2003. Possuo mais de 30 personagens, envolvidos numa série de histórias de ficção. Jogadora hardcore e defensora de graphic adventures no estilo point and click, estudo o mercado e técnicas de desenvolvimento de games, a fim de ver gameficada a minha criação.

11 Comentários em "Como Contar Uma Boa História (Parte 1)"

  1. Felipe 07/08/2014 at 18:24 - Reply

    Pocha gostei do texto arrebento, deixa uma dica pra quem quer começar a escrever estorias do zero indicação de algumas outras leituras

    • Bárbara Bueno 08/08/2014 at 14:03 - Reply

      Olá, Felipe!
      Fiquei pensando no que quis dizer com “começar a escrever histórias do zero” e cheguei a conclusão de que a gente nunca faz isso. Antes da história ir para o papel vc tem mesmo que apenas um vislumbre dela na sua mente. Ainda, mesmo essa sua pequena ideia esfumaçada e mal definida partiu de alguma coisa que vc viu ou vivenciou.
      Minha dica para escrever é: Não tenha medo.
      Se tiver criado um personagem imagine situações em que gostaria de ver como ele reage. Se tiver uma premissa interessante imagine como as pessoas conviveriam com ela. Depois pega seu pc ou um papel e só descreve isso que imaginou.
      O segredo para fazer ficar bom é reler e mudar tudo que não estiver fazendo tanto sentido, todas palavras que não gosta, adicionar detalhes que deixariam mais interessante ou apelativo.
      Depois leia de novo. Devagarinho você vai criando conexões para seus pontos chaves que estiverem desconexos e sacando novas grandes oportunidades que acabou criando sem querer para a sua história.

      Outra coisa: quando estiver neste processo, vai se pegar pensando no assunto em horas bem improváveis. Garanta que pode registrá-las na hora, mesmo que apenas de uma maneira básica. O suficiente para poder “refazê-las” mais tarde, pois do contrário irá perdê-las.

      Quando estiver se sentindo seguro para pelo menos rascunhar a histórias, em uma de suas releituras enfoque as dicas que dei neste artigo e darei nos próximos. ;)

      (Nossa… quase que escrevi outro agora, rsrs)
      Espero que tenha ajudado!

  2. Iury Nogueira 08/08/2014 at 12:34 - Reply

    Olá Bárbara, gostei muito do seu texto, pelo modo de pensar acho que você utiliza muito storytelling. Parabéns e estou torcendo pela Parte 2 :)

    • Bárbara Bueno 08/08/2014 at 14:06 - Reply

      Olá, Iury!
      A parte 2 está no forno! ;)
      E se der tudo certo em alguns meses darei notícias também sobre algum projeto de narrativa.

  3. Anderson 17/08/2014 at 13:58 - Reply

    Muito bom Bárbara! Fico aguardando a segunda parte.

  4. Marcos Cordeiro 19/08/2014 at 10:15 - Reply

    Excelente texto e ideia de post Bárbara.
    Muitas vezes, quando começamos a fazer um jogo (principalmente os iniciantes como eu,rs), nos preocupamos com qual engine usar, em qual plataforma rodar, se vai ser 2d ou 3d e acabamos deixando a história de lado sendo que isso, como vc mesma disse no texto, é algo super importante para deixar o jogo mais atrativo.

    Vou ficar esperando pela segunda parte… :-)

  5. Henrique 22/08/2014 at 11:07 - Reply

    Muito bom seu post, acertou em um ponto que as pessoas muitas vezes fazem de qualquer jeito.

  6. Leandro Vian 25/08/2014 at 14:04 - Reply

    Oi Bárbara, ótimo post, fico no aguardo pela sequência.

    Bom ver que tu tá tocando as coisas enquanto o resto da galera ta ocupada! :D

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