Como Contar Uma Boa História (Parte 2)

Como contar uma boa história parte 2

Olá, pessoas!

Na postagem anterior de “Como contar uma boa história”, comentei com vocês como é importante ter um personagem com desejos e desafios que nos façam sentir empatia.
Hoje vou falar da estrutura da história em si, na qual se usa uma técnica de divisão do roteiro em 3 atos da seguinte forma:

1º Ato 1º ato: Se encarrega de colocar o jogador no estado de imersão.
Neste ato são apresentados os personagens mais importantes e se estabelece o conflito principal da trama.

2º Ato 2º ato: Elabora em detalhes e intensidade os obstáculos para que o personagem atinja a meta. Normalmente nesse ato o personagem muda ou sofre uma grande pressão para mudança.
Neste ato também se desenvolvem as tramas secundárias (afinal, não é só o protagonista que merece empatia, tem desejos e obstáculos. O coadjuvante só não deve ofuscá-lo).

3º Ato 3º ato: O conflito principal e as tramas secundárias são todos resolvidos e o conflito acaba (mesmo que alguém deixe uma pista de que vai ter sequência ;) ).

É uma boa ferramenta, só não se esqueçam, pelamordideus (como dizem por estas bandas), de integrar tão bem todos estes atos que seu jogador não possa dizer: “Aff… não tava acontecendo nada, agora tá acontecendo tudo!” ou “Hã? Esse é o fim? Simples assim?”

A história nem precisa realmente ser dividida em atos. Eu particularmente, nunca fiz isso (pelo menos não com consciência).
Normalmente escrevo a história de forma não linear, anotando todas ideias e “cenas” que imagino na hora em que fluem na cabeça. Depois coloco em sequência e faço as conexões e ajustes que a tornam uma coisa só, integrada e linear.
Talvez esse “colocar” na sequência já seja uma utilização de atos automática… Nessa lógica, todas as suas “cenas” de apresentação irão para o começo da história, as que “aquecem” a história e aumentam seu ritmo vão depois das apresentações, os momentos clímax logo antes da resolução e por fim as cenas de como as coisas ficam quando tudo é resolvido. Dessa forma, os atos se definem sem que suas transições ocorram de forma muito súbita.
Minha proposta é utilizar este modelo em 3 atos como linha do tempo para já ir pré-encaixando as ideias que surgem soltas e depois compõem a história.

Na nossa próxima postagem teremos um estudo de caso mostrando como estas técnicas se apresentam em um bom jogo: Broken Age. Se você ainda não o conhece, cuidado, pois teremos spoilers.

Até lá, se quiser ir mais a fundo pode treinar utilizando o modelo de projeto de jogo apresentado aqui mesmo nos artigos
Anti-Invaders e Trabalhar com jogos é uma questão de sorte?, no qual eu diria que esse roteiro em 3 atos caberia muito bem dentro da sessão “Progressão do Jogo” do GDD. Fica a dica! ;)

Autor: Bárbara Bueno Ver todos os posts de
Sou Bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade do Vale do Sapucaí (Univás), Coach pelo Instituto Brasileiro de Coaching - IBC e, além de exercer as atividades de coach e assessora administrativa e contábil como autônoma, atuo no mercado de personalizados como sócia-diretora da Bigcat Artigos Personalizados. Explorando minha veia artística, tive alguma experiência na realização de projetos gráficos, impressão off-set e, em projetos escolares, no processo de criação e edição de vídeos educativos. Contudo, meu ponto forte reside na escrita, desenvolvida desde a infância e premiada pelo SESC Santo Amaro em 2003. Possuo mais de 30 personagens, envolvidos numa série de histórias de ficção. Jogadora hardcore e defensora de graphic adventures no estilo point and click, estudo o mercado e técnicas de desenvolvimento de games, a fim de ver gameficada a minha criação.

7 Comentários em "Como Contar Uma Boa História (Parte 2)"

  1. Douglas dos Santos 20/09/2014 at 23:32 - Reply

    Oi Bárbara. Gostei demais das suas dicas. Estou trabalhando com games e educação e isso me deu algumas ideias bem interessantes.
    Espero pelo estudo de caso ;)
    Abraço!

    • Bárbara Bueno 22/09/2014 at 00:46 - Reply

      Douglas, fico muito feliz em ter ajudado, sobretudo porque adoro a área com que está se envolvendo.
      Não sei se conhece os Empowered Learners do James Paul Gee, mas provavelmente é algo que poderá lançar ainda mais luz ao seu trabalho.
      Num futuro não tão distante pretendo escrever sobre isso também. Mas até lá se quiser trocar ideias sobre o tema sinta-se à vontade.
      Abraços para ti!

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