Comprando de Olhos Vendados

logoOlá pessoal, posso considerar esta, uma semana de várias novidades aqui no Abrindo o Jogo. Ontem tivemos a primeira participação de um leitor, o Luis Otávio, trazendo nosso primeiro tutorial, e hoje, com muita satisfação, dou as boas vindas ao mais novo membro da equipe Abrindo o Jogo – Samuel Salomão – grande amigo que estará representando muito bem o lado artístico da indústria de games.

Vamos juntos acompanhar seu primeiro post.

Olá a todos, em primeiro lugar eu gostaria de agradecer a oportunidade de colaborar com o blog, o foco dos textos que apresentarei serão relacionados a questões visuais dos games e espero que essa experiência de troca de conhecimento contribua para o crescimento de todos nós!

Começarei esse texto com a seguinte provocação: O que nos faz optar por determinado jogo? Os gamers de hoje em dia podem ser considerados consumidores sortudos, pois é muito fácil informar-se sobre determinado título antes de adquiri-lo. É possível analisar reviews, screenshots, trocar idéia sobre games com jogadores de todas as nacionalidades e até mesmo experimentar demos jogáveis, tudo isso graças a internet, mas nem sempre foi assim. Há mais de vinte anos atrás, quando os cartuchos começaram a popularizar-se, quando esse tipo de informação não era tão acessível, como os gamers escolhiam seus títulos?

Nem sempre era possível testar os jogos antes de comprá-los, e é nesse ponto que as labels entram em ação. Para quem nunca ouviu o termo, labels são as etiquetas com ilustrações que são colados nos cartuchos ou estampadas em CD´s e DVD´s, juntamente com as “caixinhas dos games”. Era este o elemento responsável pelo apelo visual aplicado na mídia de distribuição dos jogos para atrair o público. A maior parte dos consumidores, na época, era formado por crianças, afinal, os títulos “adultos” como Burning Desire de 1982 e X-Men de 1983, realmente estavam em menor número. Com esse fator, o uso de belas ilustrações (ou não, como veremos mais adiante) eram importantes para escolha do game a ser comprado. Crianças geralmente são atraídas por elementos coloridos e divertidos ou que de alguma forma se identifiquem, como por exemplo, personagens conhecidos. Em virtude destes pontos, às vezes o consumidor acabava pagando pela ilustração e não pelo jogo.

Para exemplificar esta visão posso citar a versão do cartucho que conheci na época, Superman o  jogo. Lançado para consoles da Atari em 1978, o game apresentava o label com uma ilustração do personagem voando no espaço, no melhor estilo HQ, porém a decepção foi imediata ao jogar o game, uma vez que este era extremamente desinteressante e confuso. Em nenhum momento, o personagem atuava no espaço, como sugeria a etiqueta.

Superman o Jogo (ou quase isto)

Superman o Jogo (ou quase isto)

Por outro lado havia o efeito inverso, labels muito ruins com jogos interessantes, como por exemplo, Pitfall: um dos clássicos criados para o console da Atari, era vendido aqui com uma terrível ilustração, parecendo mais um jogo do Mogli, o menino-lobo.

Pitfall, o menino-lobo

Pitfall, o menino-lobo

Este tipo de caso era bastante comum naquela época. Para mim, era claro que a preocupação com a estética do jogo como produto não era relevante para as distribuidoras de jogos, que pareciam acreditar que apenas o software e o fator diversão eram auto-suficientes para a venda dos cartuchos. O resultado disso é uma coleção vergonhosa de ilustrações que até hoje servem de referência para “o que não se deve fazer para vender um produto”.

Acredito que a grande lição disso é que devemos ter sempre claro que o produto final precisa apresentar uma boa aparência, mas ao mesmo tempo, também precisa cativar e ser honesto com o consumidor.

Imagens retiradas de : http://www.atariage.com

Autor: Samuel Salomão
Autor: Everton Vieira Ver todos os posts de
Sou Bacharel em Análise de Sistemas pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel) no ano de 1999. Minha paixão por games é de longa data. Porém, em 2003 tornei essa paixão uma profissão. Durante oito anos atuei como Game Designer e Arquiteto de Software em mais de 30 projetos de Serious Games (simuladores) para grandes empresas do país. Atualmente sou sócio-fundador da Izyplay Game Studio, onde exerço o cargo de Diretor de Criação. Além do envolvimento corporativo, também participei da organização da Pós Graduação em Arquitetura e Desenvolvimento de Jogos Digitais na FATEC SENAC Pelotas. Minha área de interesse e especialização é Game Design e Inteligência Artificial.

2 Comentários em "Comprando de Olhos Vendados"

  1. Cissa Baini 30/10/2009 at 17:54 - Reply

    Adorei! Da-lhe Samuca!

    Adorei os exemplos que deste – bem do meu (nosso) tempo. Eu ficava frustradíssima que os jogos NUNCA eram como os ilustrados… Meu pai me levava pra comprar os cartuchos e eu lembro que escolhia na sorte, torcendo pra ser bom (e bonito porque pra mim só é bom se for tb bonito).

  2. Erika Urakawa 03/11/2009 at 14:43 - Reply

    Post bem interessante…Lembro de uma capa do primeiro Fatal Fury, para Super Nintendo…Totalmente nada a ver com o jogo…=D

    E ainda hoje encontramos “belezuras” como essas aos montes…É só conferir nesse link, tem muitos exemplos:

    http://forum.jogos.uol.com.br/Top-55-das-Piores-Capas-de-Games_t_249670?page=5#4438316

    Além de ensinarem “como-NÃO-se-deve-fazer-uma-capa-para-jogo”, é garantia de diversão!

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