CryENGINE: uma opção para indies – Parte 1/6

Olá pessoal! Mais um leitor no controle, desta vez nos trazendo um estudo sobre as funcionalidades do CryENGINE. O Leonardo Dalmina produziu uma série de 6 posts mostrando porque esta é uma ferramenta a ser considerada pelo desenvolvedor independente.

Meu nome é Leonardo Dalmina, sou Bacharel em Sistemas de Informação da faculdade FACCAT, do Rio Grande Do Sul. Vim apresentar a vocês uma série de seis capítulos sobre o estudo da engine para jogos CryENGINE. Nesta série estarei aqui relatando minha experiência com o trabalho de conclusão que fiz na faculdade no ano passado (2012), bem como o trabalho em si, que envolve o estudo de diversas funcionalidades da ferramenta.

Ah! Legal Leonardo, você fez um trabalho de conclusão relacionado com jogos! Mas o que eu, desenvolvedor de jogos, vou aproveitar desse seu trabalho acadêmico para minha carreira profissional? A resposta é simples! A CryENGINE pode ser uma opção muito interessante para você utilizar no desenvolvimento dos seus jogos!

Desenvolvedores Indie em geral optam por iniciar com jogos casuais. E mesmo quando não se trata de um jogo casual, normalmente é um jogo que precisa ser feito com baixo custo (caso dos jogos casuais). Mesmo tendo que investir em uma ferramenta (e existem as opções sem custo), esse investimento é baixo comparado com o custo de criar e dar manutenção na própria engine. Se você é um desenvolvedor Indie, é importante estudar as principais opções de engines disponíveis para lhe auxiliar na tarefa de desenvolver um game.

Um artigo publicado no portal GameCareerGuide mostra que no desenvolvimento de jogos grandes (tradicionais, ou AAA), é comum os desenvolvedores criarem a própria engine ou usarem apenas APIs. Mas ao criar jogos casuais, 60% preferiram adquirir uma engine pronta (veja “Figure 6: Preferred technology building methodology”).

Como citei anteriormente, além do estudo, eu também fiz um jogo com a engine. Esse jogo foi intitulado Cryshooter, fazendo uma analogia às palavras Cry (presente no início do nome da engine) e shooter (tradução do idioma inglês para atirador). No final da leitura, quem ficar interessado em ver as funcionalidades em execução, pode baixar o jogo no seu blog oficial (as informações necessárias estão contidas nas respostas das perguntas 3 e 7 no final deste post) e dar preferência à versão de 64-bits, pois a de 32-bits está muito instável.

Nesta série conheceremos 5 recursos importantes do CryEngine, cada um com várias funcionalidades. Mas antes, iniciaremos com uma série de perguntas e respostas sobre a ferramenta.

1. Como funciona o sistema de licença?

Existem vários tipos de licença, para várias finalidades que a ferramenta será utilizada, como a criação de Games tradicionais, Serious Games, Animações etc. As licença mais acessíveis são a CryENGINE Free Use e a CryENGINE 3 Independent Developers Platform. A CryENGINE Free Use é a licença para estudantes, 100% gratuita, com acesso a ferramenta completa, mas para uso não-comercial. Isso permite que o estudante use a ferramenta ilimitadamente desde que não ganhe dinheiro (direta ou indiretamente) com os jogos feitos nela. É possível divulgar seu game, desde que este seja completamente gratuito. A CryENGINE 3 Independent Developers Platform é a licença para desenvolvedores, também com acesso a ferramenta completa, e desta vez permitindo o uso comercial. Este modelo de licença é baseado em royalties, onde a partir do lançamento do game, 20% de toda a receita que você obter com ele ficará com a Crytek. Informações sobre outros tipos de licença (para estúdios, grandes companhias etc) podem ser obtidas na página de licenças da CryENGINE (http://mycryengine.com/index.php?conid=3).

2. Onde posso baixar esta engine?

A CryENGINE pode ser obtida no portal da Crydev.net.

3. Preciso fazer algum tipo de cadastro?

Sim. Para abrir a engine você terá que informar o seu usuário e senha de acesso ao portal da Crydev.net. Você pode fazer o registro no momento em que abrir a engine ou pelo próprio portal da Crydev.net (http://www.crydev.net/ucp.php?mode=register).

4. Quais são os requerimentos de hardware para executá-la?

Requerimentos do Sistema [Desenvolvedor]

  • Sistema Operacional: Windows XP SP2, Windows Vista SP1, Windows 7
  • CPU: Intel Core 2 Duo 2GHz, AMD Athlon 64 X2 2GHz ou superior (um processador com vários núcleos é fortemente recomendado)
  • Memória: 2 GB RAM (recomendado 4 GB)
  • Placa de Vídeo: nVidia 8800GT 512MB RAM, ATI 3850HD 512MB RAM ou superior (no mínimo SM 3.0)

Requerimentos do Sistema [Usuário Final]

Usuários finais que somente usam o Launcher (para rodar jogos já compilados) da CryENGINE sem o Sandbox possuem requisitos de sistema mais baixos.

  • Sistema Operacional: Windows XP SP2, Windows Vista SP1, Windows 7
  • CPU: Intel Core 2 Duo 2GHz, AMD Athlon 64 X2 2GHz ou superior (um processador com vários núcleos é fortemente recomendado)
  • Memória: 1 GB RAM (recomendado 2 GB)
  • Placa de Vídeo: nVidia 8800GT 512MB RAM, ATI 3850HD 512MB RAM ou superior (no mínimo SM 3.0)

Pacotes de Software necessários:

5. Quero aprender mais! Onde posso encontrar tutoriais? Existe algum livro?

Maiores informações sobre a ferramenta estão presentes na documentação oficial da CryENGINE 3. Nesta documentação algumas funcionalidades estão descritas em forma de tutorial, fazendo um passo-a-passo bem intuitivo. Para tutoriais em forma de vídeo, aconselho fortemente a adquirir as vídeo-aulas do portal Eat 3D, eles tem uma grande variedade de tutoriais para diversos programas, e claro, tutoriais específicos para a CryENGINE. Existem livros já publicados, eu utilizei para o meu trabalho o CryENGINE 3 Cookbook, que na época era a única publicação existente. Hoje já existem novas publicações, como por exemplo, o livro CryENGINE 3 Game Development: Beginner’s Guide.

6. Se eu tiver dúvidas, onde posso resolvê-las?

Existe um fórum no portal da Crydev.net onde vários usuários e empresas postam suas dúvidas para que outros usuários e também desenvolvedores que trabalham na Crytek as solucionem. Este fórum utiliza o mesmo usuário e senha da CryENGINE.

7. Onde posso baixar o jogo Cryshooter?

O jogo Cryshooter está disponível para download no seu blog oficial.

8. Porque o blog do jogo Cryshooter está todo em Inglês?

Por uma questão de público alvo. Ao desenvolver o jogo, optei por interagir com os usuários da comunidade/fórum do portal da Crydev.net, afinal, eles tinham tanto interesse quanto eu na ferramenta. Como o idioma utilizado no fórum é o inglês, ao criar o blog utilizei este idioma para que os usuários do fórum pudessem ter mais facilidade para entender meu trabalho.

9. Que versão da CryENGINE você usou quando fez este trabalho?

Utilizei a versão 3.4.0. A versão atual pode ser conferida em www.crydev.net.

10. É possível trabalhar na empresa Crytek? Como faço para entrar em contato?

Sim, é possível, desde que você saiba se comunicar (escrita e verbalmente) muito bem em inglês. No website oficial da Crytek existe uma seção de carreira onde você pode obter informações gerais, ver as vagas disponíveis e também aprender sobre os Estúdios que eles possuem. Atualmente, existem 9 estúdios, sendo a sede da empresa localizada em Frankfurt, na Alemanha, onde normalmente está aberta a maior quantidade de vagas em relação aos outros estúdios. O endereço de acesso para a página de ofertas de trabalho é http://www.crytek.com/career/offers/overview, escolha um estúdio e boa sorte!

Era isso pessoal, este primeiro capítulo ficou bastante extenso pois apresentou a introdução da série, os restantes serão mais focados somente nos recursos e suas respectivas funcionalidades. No final da série será disponibilizado o artigo feito para o trabalho de conclusão para quem quiser realizar a leitura completa.

Até o próximo capítulo!

— Leonardo Dalmina

Autor: Luiz Nörnberg Ver todos os posts de
Sou Bacharel em Ciência da Computação pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel), onde também atuei como professor. Desde a época da faculdade (mais de quinze anos atrás) a paixão por jogos tem sido importante no meu direcionamento profissional. Sou sócio-fundador do Izyplay Game Studio, onde exerço o cargo de Diretor de Tecnologia. Sempre tive grande foco em desenvolvimento em Java, embora tenha migrando para a tecnologia Adobe AIR em função de sua portabilidade. Ah, e é claro, dou meus palpites no game design.

14 Comentários em "CryENGINE: uma opção para indies – Parte 1/6"

  1. oilergui 24/03/2013 at 10:30 - Reply

    Cara muito bom! Continue os post. Excelente, vou curtir este tipo de publicação. Sobre fico longo, fico nada! Longo é o que se encontra no blog Gamesutra, mas lá sim é algo super avançado.

    Continua os posts a respeito é uma boa para novatos que querem um norte isto. =]

  2. Marcelo Ribeiro 25/03/2013 at 15:47 - Reply

    Parabéns pelo jogo e pelo post, muito bons.

    Essa série de posts com certeza vai ajudar muita gente, inclusive eu, a aprender mais sobre essa incrível engine.

    Fiquei com uma dúvida que gostaria de perguntar (talvez você até aborde isso futuramente):

    Com relação aos objetos e texturas utilizadas no jogo, você criou todos ou eles já vem prontos? Ou será que você pode adquirir novas texturas e elementos prontos para criar seus jogos?

  3. Leonardo Dalmina 26/03/2013 at 17:55 - Reply

    Olá oilergui!

    A ideia é exatamente essa. Quanto maior for o conhecimento dos leitores sobre a CryENGINE, maior será o nível de segurança que terão no momento de optar pela engine que usarão em sua carreira profissional.

  4. Leonardo Dalmina 26/03/2013 at 18:07 - Reply

    Olá Marcelo Ribeiro!

    Esclarecendo sua dúvida, todos os assets utilizados no jogo (objetos, texturas, efeitos de som, trilha sonora) foram extraídos do cenário padrão (Forest) que vem junto com a engine.
    Sobre a segunda pergunta, é possível adquirir novos elementos sim.
    Através do módulo “Material Editor”, é possível controlar todos os tipos de texturas e outros elementos de qualquer objeto.
    O curso do Eat 3D que citei no post ensina detalhadamente como trabalhar com isso, desde a seleção de materiais já disponíveis na engine até a conversão e importação de imagens externas.

    • Marcelo Ribeiro 27/03/2013 at 11:08 - Reply

      Obrigado pela resposta Leonardo.
      Agora me interessei mais ainda pela engine.
      Atualmente estou desenvolvendo em 2D com o GameMaker Studio. Mas quando eu for passar para 3D já estou pensando seriamente em usar a CryEngine.
      Vou dar uma olhada no curso que você mencionou.
      Aguardando ansioso os próximos posts!

  5. Rodrigo Medeiros 28/03/2013 at 23:36 - Reply

    Olá Leonardo, antes da mais nada gostaria de parabenizá-lo pelo post, e dizer que, ele não ficou longo, ficou ótimo, se tiver que fazer o próximo maior, manda bala que gostei realmente da tua abordagem e opinião.

    Meu nome é Rodrigo Medeiros, e estou iniciando um Startup para a criação de uma “game studio”. Inicialmente nós tínhamos optado por trabalhar com a CryEngine, mas acabamos migrando para a UDK, pois na época o material disponível para estudo ainda era escasso, hoje após conseguirmos dominar o 3ds max, acabamos retornando a CryEngine, por diversos motivos, 1º ela é uma engine pronta para a próxima geração (que sai talvez esse ano ainda), 2º ela é mais barata que a udk (royalites da udk são de 25%), 3º hoje em dia já há material para ela, e o 4º e mais importante de todos! A atual versão da CryEngine roda offline (qndo sem rede, basta logar com login e senha como: default).

    Para todos que quiserem começar a trabalhar com ele e não sabem inglês, indico o seguinte link: http://www.youtube.com/user/BritishNathan/videos?view=0
    Não é meu o canal, mas o cara que o fez postou mais de 40 vídeo aulas sobre ela!

    Por fim queria tirar uma dúvida, o sistema de programação da CryEngine aceita a linguagem Lua? Ela possuí algo similar ao Kismet da UDK, onde tudo pode ser feito de uma forma mais lógica? Existe um número máximo de polígonos por personagem? Alguma dica pra quem esta começando a trabalhar com ela?

    Aguardo vossa resposta.

    Att. Rodrigo Medeiros!

  6. Bárbara 29/03/2013 at 11:21 - Reply

    Que legal, Leonardo!

    Estou esperando pelas próximas partes.

  7. Leonardo Dalmina 29/03/2013 at 23:18 - Reply

    Oi Rodrigo! Obrigado pelo comentário!
    Desde o final do ano passado não usei mais a engine, retomei seu uso agora para a criação desta série, mas fico muito feliz em saber que liberaram o uso offline, isso era um ponto bem negativo.
    Sobre as perguntas:
    1) O sistema de programação da CryEngine aceita a linguagem Lua?
    Eu nunca cheguei a usar, mas segundo a documentação oficial aceita sim.
    2) Ela possuí algo similar ao Kismet da UDK, onde tudo pode ser feito de uma forma mais lógica?
    Não conheço esse sistema da UDK, mas a CryENGINE possui um sistema de programação visual através de fluxogramas, que foi uma das funcionalidades exploradas no meu trabalho e será explicada aqui, provavelmente no capítulo 4.
    3) Existe um número máximo de polígonos por personagem?
    Eu já li algo a respeito quando estava estudando a integração da engine com o 3ds max, mas não me recordo se havia um limite. Podes tentar ver com o pessoal do fórum da Crydev.net, se os usuários não souberem responder é provável que algum membro da Crytek te forneça a resposta.
    4) Alguma dica pra quem esta começando a trabalhar com ela?
    Do que eu pude observar enquanto utilizei ela, apenas as dicas básicas que se aplicam à qualquer engine:
    a) Familiarize-se com a UI e customize-a de acordo com seu estilo;
    b) Busque fontes de informações diferentes ao aprender novas funcionalidades;
    c) Se a engine oferece mais de uma maneira de implementar a feature do seu jogo, escolha mais pela eficiência e menos pela simplicidade;
    d) Não escolha a engine que mais tem recursos, escolha a que melhor atenda as suas necessidades.
    Provavelmente não falei nenhuma novidade, mas informação útil sempre vale a pena compartilhar.
    Muito sucesso na sua Startup Rodrigo!

  8. Leonardo Dalmina 29/03/2013 at 23:33 - Reply

    Olá pessoal!
    Já estou trabalhando no segundo capítulo, assim que estiver finalizado e revisado deve surgir por aqui.
    Bom feriado à todos!

  9. Luciano 10/06/2013 at 15:51 - Reply

    Cara me ajuda POR FAVOR!!!!
    Vc sabe algum modo de usar a
    CryEngine 3 no modo Offline?????
    Me manda um e-mail respondendo por favor!!!!!
    [email protected]

  10. Rian 14/10/2014 at 14:04 - Reply

    Ola, meu nome é Rian tenho 14 anos sou formado em game designer.
    Eu ja terminar de criar um jogo no cryengine mais como posso compilaro e colocaro a venda

  11. Eduardo monteiro da silva 11/08/2016 at 17:05 - Reply

    como consigo uma licença para uma escola de informatica para dar ensinar o cry engine 3 e como
    a crytec fornece os diplomas com consigo diplomas do cryengine 3 para meu alunos

  12. Pedro Henrique de Sousa araujo 04/11/2016 at 22:58 - Reply

    A cryengine 3 independente custa quanto atualmente é quais são as formas de pagamenyo

    • Everton Vieira 05/11/2016 at 10:59 - Reply

      Olá, Pedro!
      Não temos esta informação. Teria que dar uma Googleada para descobrir 😉

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