Entrevista: Ale McHaddo e O Enigma da Esfinge

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Olá, Pessoal!

Nesta postagem, trago para vocês uma entrevista feita com o talentoso desenhista, roteirista e CEO, Ale McHaddo, que trabalha através da 44 Toons com games e animação no Brasil e no exterior.

Sobre a 44 Toons, você gostaria de contar um pequeno histórico pontuando alguns eventos importantes?
Ela é voltada também a outras mídias, atuando também com animação. Porque decidiram atuar em mais de um mercado? Quais são os benefícios disso?

Monstruário

A 44 Toons nasceu a partir da empresa 44Bico Largo, responsável pelos jogos  Enigma da Esfinge (1996) e Monstruário (2000). A 44 Toons era um departamento de animação dentro da produtora de games, no início dos anos 2000, começamos a produzir curtametragens  usando a estrutura que haviamos criados para a produção de jogos. Os projetos começaram a crescer e logo foi preciso criar uma nova empresa especializada em animação. Durante esse processo, o mercado de jogos eletrônicos no Brasil foi ficando cada vez mais difícil, enquanto o cenário para o desenvolvimento de animações nacionais – e audiovisual em geral- ficava cada vez mais propício. O que aconteceu é que a 44Toons acabou crescendo rapidamente e começando a produzir muitos longas e séries de TV. Por causa disso, a 44 Bico Largo mudou de nome para 44 Toons Interactive e é a produtora de jogos responsáveis por todas as mídias interativas das nossa propriedades desenvolvidas para cinema e TV.

Gostaria de contar um pouco sobre si, seu currículo e papel na equipe?
Sou formado em artes plásticas com mestrado em cinema, ambos pela ECA/USP. Cuido da concepção artística e narrativa de todos os projetos, sejam eles de jogos ou audiovisual. Na verdade procuro não fazer distinções entre mídias, para mim são apenas modos diferentes de contar histórias e procuro as melhores formas em cada plataforma para as quais começamos a desenvolver um produto. Coordeno de perto as produções, mas indicando os caminhos que deveremos seguir.

Gostaria de falar algo sobre o resto da equipe da 44 Toons?
A equipe da 44Toons segue um pouco desse meu pensamento multi-disciplinar. Entre programadores, animadores, desenhistas… todos são extremamente versáteis e entendem toda a cadeia de produção em que estão inseridos.

Como surgiu a ideia da premissa do jogo O Enigma da Esfinge?
O Enigma da Esfinge nasceu da vontade de criar um adventure brasileiro. Na década de 90, o mercado de jogos para crianças estava orientado especialmente para os jogos educativos. A idéia foi criar um jogo que abordasse história junto com a diversão do jogo. Por isso, decidimos ambientar o jogo no antigo Egito, assim as crianças podiam se divertir enquanto passeavam por locações históricas.

Quais foram os desafios no desenvolvimento da versão original (game design, programação e arte)?
O maior desafio que tivemos foi tecnológico. Primeiro foi preciso identificar o que poderíamos fazer com uma equipe restrita e com a tecnologia que tínhamos acesso. A partir disso é que começamos a pensar em como trabalharíamos o roteiro e as animações. Muitos ajustes foram necessários. Quando decidimos colocar Marisa Orth contracenando com o protagonista não sabíamos como fazer isso funcionar, muitos testes foram necessários, mas no fim tudo deu certo.

Que decisões tomadas, do seu ponto de vista, mais contribuiram para o projeto e seu sucesso?
O Enigma da Esfinge foi um dos primeiros jogos do país. Meio que na contramão de uma série de lançamentos puramente educativos, lançar um jogo divertido foi uma aposta acertada. O fato de termos uma atriz global, no auge do destaque no programa Sai de Baixo, também contribui bastante para o sucesso do jogo.

Do ponto de vista comercial, a quê atribui o sucesso do game?
Uma série de fatores em harmonia – desde o momento em que lançamos, a temática, o estilo do jogo e principalmente a qualidade geral do projeto.

Quais as novidades que o novo Enigma da Esfinge trazem?
O Jogo foi remodelado, todos os personagens foram refeitos em 3D e os cenários foram pintados com mais profundidade.

Gustavinho no novo Enigma da Esfinge

Porque optaram por fazê-lo em 3d?

Como usamos um engine 3D, decidimos refazer os personagens. Com isso podemos fazer os personagens se movimentar por todo o cenário seguindo os comandos dos usuários. Na versão original os personagens só se movimentavam seguindo trilhos pré-estabelecidos.

Para você, como foi o processo de recriar este jogo?
Foi uma experiência muito interessante, pois foi preciso refazer tudo desde o princípio, a única coisa que mantivemos foi o roteiro original – que teve algumas mudanças apenas. Foi como voltar no tempo.

Pode descrever, tecnicamente, como foi a reprodução do jogo?
A partir do roteiro original, remodelamos os personagens e cenários e passamos a encaixá-los na história. Não foi uma produção difícil, pois a tecnologia de hoje permite uma série de coisas impensáveis há 16 anos.

Qual as linguagens e game engine utilizadas na criação desse jogo?
Unity 3D

Quais os desafios neste novo projeto?
O grande desafio foi adequar um game design de 16 anos atrás para o público de hoje, que é mais acostumado com jogos orientados apenas para a ação e com “zero” de raciocínio.

Quais foram os maiores aprendizados que obteve no desenvolvimento de games e na indústria de games nacional, desde que concebeu o primeiro jogo do Gustavinho?
O grande aprendizado nesses 16 anos é que esse mercado esta sempre me movimento e que as modificações são constantes. Por isso mesmo, se uma empresa quer continuar aberta, deve estar atenta e de adaptar constantemente.

Gostaria de comentar sobre outros jogos da 44 toons ou da sua carreira?
Depois do Enigma da Esfinge, o personagem Gustavinho apareceria num jogo que continuaria a aventura chamado Vila Rica. A história seria uma sequência do jogo original e dessa vez Gustavinho iria voltar no tempo na cidade de Vila Rica, onde encontraria Aleijadinho ,Tiradentes e vários personagens da inconfidência mineira. Como o mercado de 96 a 98 diminuiu bastante, acabamos engavetando o projeto.

Vocês pensam em produzir Vila Rica hoje em dia?
Depende muito da resposta das vendas do Enigma na APP store. Mas ainda é uma plataforma discreta para lançamentos infantis.

Gostaria de compartilhar algo mais com nossos leitores?
Hoje Gustavinho é o líder da BugiGangue e vai estrear um longa metragem – já em produção – que deve ser lançado no ano que vem.
A 44Toons é especializada na criação de conteúdo original e recentemente se tornou a primeira produtora a ter uma série animada na TV americana: Nilba e os desastronautas. O jogo baseado nessa série vai estrear junto com a exibição dos desenhos, na app store americana.

Para saber mais, veja:
Trecho de O Enigma da Esfinge com a participação de Marisa Orth
http://www.youtube.com/watch?v=T6AcBw9A1Mo

Vídeo com o novo jogo:
http://www.youtube.com/watch?v=TgaEjO9vNGM&feature=youtu.be

Entrevista com Ale na TV Cultura sobre Bugigangue:
http://www.youtube.com/watch?v=1pKFgcl-SJU

Abertura de Nilba e os desastronautas:
http://www.youtube.com/watch?v=ueBLbWvykEE

Autor: Bárbara Bueno Ver todos os posts de
Sou Bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade do Vale do Sapucaí (Univás), Coach pelo Instituto Brasileiro de Coaching - IBC e, além de exercer as atividades de coach e assessora administrativa e contábil como autônoma, atuo no mercado de personalizados como sócia-diretora da Bigcat Artigos Personalizados. Explorando minha veia artística, tive alguma experiência na realização de projetos gráficos, impressão off-set e, em projetos escolares, no processo de criação e edição de vídeos educativos. Contudo, meu ponto forte reside na escrita, desenvolvida desde a infância e premiada pelo SESC Santo Amaro em 2003. Possuo mais de 30 personagens, envolvidos numa série de histórias de ficção. Jogadora hardcore e defensora de graphic adventures no estilo point and click, estudo o mercado e técnicas de desenvolvimento de games, a fim de ver gameficada a minha criação.

Um comentário em "Entrevista: Ale McHaddo e O Enigma da Esfinge"

  1. Marcelo Martins 06/08/2013 at 09:54 - Reply

    Que bom ler a opinião de mais um desbravador da nossa indústria. Em 96-98, eu era apenas um headbanger fã de games e o Ale já estava lançando seus jogos. Boa sorte no lançamento do Enigma na App Store!

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