Jogos das nossas infâncias

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Então, pessoal… o dia das crianças está quase ai, e, de repente, me vejo num momento nostalgia.
Minha primeira experiência com games foi no Atari, mas as mais marcantes da minha infância, sem dúvida, foram aos 8 anos com a chegada do primeiro computador.
Existia uns jogos de windows sinistros, de flechinha, de canhãozinho, com o abominável homens das neves, bombas… e existia jogos maravilhosos que se acessava escrevendo linhas enormes no DOS.

Nunca vou esquecer a primeira vez que vi o Bernard abrindo a porta do relógio com pêndulo! E a partir dali começou uma linda história de amor (que não é novidade para ninguém que acompanha o AoJ), que passou por Full Throttle, The Dig, Monkey Island, Gabriel Knight, Broken Sword…
Praticamente cada um destes jogos foi revisitado pelo menos uma vez anos mais tarde, menos os queridos Putt-Putt e Freddy Fish da Humongous, lá dos primórdios da minha experiência gamer.
Resolvi fazer isto. E o que trago hoje é um review de Putt-Putt Joins the Parade, um jogo da minha infância, feito para crianças.

Lições que o jogo ensina

Que só podemos atravessar a rua quando o sinal estiver verde para nós ou quando não houver carros passando, que devemos escovar os dentes depois de comer, que tomar banho é gostoso e devemos ir limpos em eventos especiais. :D

O jogo ensina cores, números e, o mais importante: que para fazer qualquer coisa é necessário dinheiro e que para ganhar dinheiro é necessário trabalhar.

Ensina o perigo de se deixar objetos jogados, sobretudo o risco de se ferir com objetos ponteagudos.

Pontos fortes em Game Design:

Na parte do trânsito, onde há o farol que indica se pode atravessar ou não, se a criança não percebe que pode mandar o semáforo mudar para verde, após algum tempo ele muda sozinho.

O jogador interage diretamente com o cenário, não precisando do protagonista da história como intermediário. E as vezes, interações com elementos diferentes, provoca uma terceira interação entre esses elementos.

A maioria das atividades podem ser realizadas infinitamente, no entanto, sempre muda o endereço e o personagem para quem são executadas. No caso de cortar a grama também sempre mudam os terrenos. E as repetições também envolvem combinações diferentes de números e cores.
Também há uma tarefa de encontrar um bebê perdido no teatro, e a cada vez que se joga o jogo, o bebê é diferente.
Essa variabilidade é um ponto muito forte num jogo para crianças, pois o que se espera é que elas joguem repetidas vezes e desta forma, sempre há algo a mais para aprender.
Alguns quebra-cabeças também possuem mais de uma forma de ser resolvidos.

O personagem dá dicas se você está ou não no lugar certo para executar suas tarefas (eu não entendia nada, mas isso deve ter sido útil para crianças que falavam inglês).
Ainda, o jogo não exige que a criança seja alfabetizada para jogar!

Ao final, o jogo recompensa o jogador com uma bela parada, onde pode ver os animais carro a carro e depois todos em conjunto indo ao horizonte. Nos créditos, ainda pode se divertir mais estourando balões que sobem pela tela.
Tenho que admitir que me diverti mesmo jogando o jogo novamente!

Pontos fortes em Arte/Animação:
O uso de carros como personagens no lugar de humanas facilita imensamente a animação. Quando em movimento, eles não precisam mais do que uma posição subindo e descendo, e apenas as rodas tem de dar a sensação de girar, o que é possível com poucos quadros.
Á exceção de Putt-Putt, a todo tempo os carros estão parados ou dentro de suas garagens, o que limita suas animações a movimentos labiais.
O “braço” de Putt-Putt é um fio de pixels absolutamente flexível e extensível, não dando qualquer dor de cabeça com anatomia.
E tudo isso permite uma economia que pode ser revertida na riqueza de animações curtas que podem ser vistas aos montes na interatividade com o cenário.
E porque não dizer que esse cenário é o ponto forte do jogo?
Ele poderia ser fechado em poucos minutos, entretanto, uma criança pode passar horas explorando tudo o que o cenário faz, e as vezes é até muito educativo!
Latas de refrigerante amassadas no chão vão para caixas de reciclagem, livros fecham e abrem novamente, sempre com uma nova palavra, lagartas viram borboletas, animais são alimentados…
Um capricho infinito! (Se quiserem atestar, tá ai um bom link para isso: Putt Putt Online)

Se um dia for me envolver com jogos educativos, espero carregar estas lições e continuar o legado deixado por Ron Gilbert.

E vocês? Quais foram os jogos de sua infância? O que te ensinaram?
Convido vocês a fazerem a experiência de revisitá-los, no presente ou na memória, para nos contar como foi e o que aprenderam.

Autor: Bárbara Bueno Ver todos os posts de
Sou Bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade do Vale do Sapucaí (Univás), Coach pelo Instituto Brasileiro de Coaching - IBC e, além de exercer as atividades de coach e assessora administrativa e contábil como autônoma, atuo no mercado de personalizados como sócia-diretora da Bigcat Artigos Personalizados. Explorando minha veia artística, tive alguma experiência na realização de projetos gráficos, impressão off-set e, em projetos escolares, no processo de criação e edição de vídeos educativos. Contudo, meu ponto forte reside na escrita, desenvolvida desde a infância e premiada pelo SESC Santo Amaro em 2003. Possuo mais de 30 personagens, envolvidos numa série de histórias de ficção. Jogadora hardcore e defensora de graphic adventures no estilo point and click, estudo o mercado e técnicas de desenvolvimento de games, a fim de ver gameficada a minha criação.

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