O que é uma Startup – Parte 1 de 5

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Olá, pessoal!

Hoje vou falar de Startups, um modelo de negócio bastante aplicável, senão natural, às produtoras de games indie ou de pequeno porte.

Uma startup é uma pequena empresa que assume um problema técnico difícil.
No caso destas desenvolvedoras, internamente, este problema pode ser criar um jogo de qualidade com poucos recursos, sejam eles financeiros, tecnológicos, humanos e até mesmo cronológicos, uma vez que o projeto deve estar concluído antes que os recursos financeiros, dos quais todos outros decorrem, cheguem ao fim.

Do ponto de vista do público externo, de um modo geral, o problema que este tipo de startup busca solucionar pode ser atender a uma demanda não suprida pelas grandes produtoras, por jogos inovadores e mais orientados ao perfil de um público alvo. É o problema que determina o nicho de mercado, bem como o ineditismo da startup.

Segundo Yuri Gitahy, startups possuem quatro características principais:

  • Geração de valor, por transformar, necessariamente, trabalho em dinheiro.

  • Ser repetível, o que significa entregar o mesmo produto ilimitadamente, sem ter de dedicar mais tempo ou trabalho a ele (como ocorre, por exemplo, na distribuição digital);

  • Ser escalável, ou seja, em decorrência  da repetitividade, crescer em receita em proporção bem maior do que em custos, fazendo com que a margem de lucro aumente exponencialmente;

  • Incerteza, pois se baseiam em ideias ou projetos de empresa, cuja viabilidade e possibilidade de sucesso são impossíveis de verificar.

Paul Graham, por sua vez, aborda todos estes aspectos conjuntamente, enfocando quatro pontos que para ele, são determinantes para o sucesso de uma startup: fazer algo que as pessoas querem, mensurar, alavancar, e ser pequeno.

Vou abordar o tema seguindo esta linha de pensamento.

GERAÇÃO DE RIQUEZA

Existem tantos meios de se ganhar dinheiro quanto a imaginação humana for capaz de criar (tem gente que rouba, que entra para a política, que vende a virgindade…). Dentre eles, provavelmente criar riqueza é o mais integro e direto. Tudo o que se tem de fazer é algo que as pessoas querem. (Que simples, não?)

Programadores podem fazer isso sentados em frente a um computador. Um bom software (ou melhor, um bom jogo) é uma coisa valiosa e notadamente repetível e escalável.
A maior parte das empresas faz dinheiro criando riqueza, e todos nelas trabalham juntos com este objetivo, fazendo coisas que as pessoas querem. Porém, trabalhando em grandes empresas isso nem sempre é visível, pois o trabalho é dividido com um monte de outras pessoas, e a pequena tarefa que nos cabe executar ao longo dos dias, isolada fica sem significado.

MENSURAÇÃO E ALAVANCAGEM

O problema da divisão de tarefas no trabalho, que ocorre principalmente nas grandes empresas, é a dificuldade de mensurar qual o valor do trabalho de cada pessoa. Sendo impossível, o trabalhador é pago com um salário fixo por uma determinada quantidade de horas, nas quais espera-se que ele produza bastante(³) . Porém, esse modelo não incentiva ninguém a devotar a vida ao seu trabalho (apesar de que é habitualmente o que esperam…).
Em outro modelo de negócio, alguém que realmente se devote ao trabalho, pode criar fontes de renda, como, por exemplo, um programador escrevendo um novo software. A compilação de um programa pode criar valor centenas de vezes mais que a execução exaustiva de uma atividade, realizada por um trabalhador médio, que influencie numa fração mínima de um produto qualquer.

Segundo Paul Graham, é necessário que haja mensuração e alavancagem para que ocorra o enriquecimento (seja individual ou de uma empresa). E alavancagem, no exemplo do programador é justamente decidir escrever um software, determinar qual seu objetivo (ou qual problema ele resolverá), qual linguagem será usada… enfim, tomar decisões que causam grande efeito no resultado e na velocidade em que se alcancça ele.
Uma boa dica da presença de alavancagem é a possibilidade de falha. Normalmente, quando há potencial de ganho, há também uma grande possibilidade de perda, e isso não ocorre sem a presença da alavancagem.

Mensuração, por sua vez, é a possibilidade de ter a performance medida. De outra forma não se pode verificar se há ou não produtividade e também não há como receber proporcionalmente ao maior esforço no trabalho.

Staturps oferecem uma situação de mensuração e alavancagem para qualquer um. São mensuráveis, pois são pequenas e oferecem alavancagem porque fazem dinheiro inventando nova tecnologia (entendida como técnica, ou a forma de fazer as coisas). E quando você descobre um novo jeito de fazer as coisas, esse valor é multiplicado para todas as pessoas que o usam.

Na próxima postagem, serão tratadas as implicações do tamanho para uma startup e os riscos deste modelo empresarial.

Espero que tenham gostado!

REFERÊNCIAS

“How to Make Wealth” de Paul Graham: http://paulgraham.com/wealth.html
Extraído do livro “Hackers and Painters: Big Ideas from the Computer Age”

O que é uma Startup” de Yuri Gitahy: http://exame.abril.com.br/pme/dicas-de-especialista/noticias/o-que-e-uma-startup

Autor: Bárbara Bueno Ver todos os posts de
Sou Bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade do Vale do Sapucaí (Univás), Coach pelo Instituto Brasileiro de Coaching - IBC e, além de exercer as atividades de coach e assessora administrativa e contábil como autônoma, atuo no mercado de personalizados como sócia-diretora da Bigcat Artigos Personalizados. Explorando minha veia artística, tive alguma experiência na realização de projetos gráficos, impressão off-set e, em projetos escolares, no processo de criação e edição de vídeos educativos. Contudo, meu ponto forte reside na escrita, desenvolvida desde a infância e premiada pelo SESC Santo Amaro em 2003. Possuo mais de 30 personagens, envolvidos numa série de histórias de ficção. Jogadora hardcore e defensora de graphic adventures no estilo point and click, estudo o mercado e técnicas de desenvolvimento de games, a fim de ver gameficada a minha criação.

4 Comentários em "O que é uma Startup – Parte 1 de 5"

  1. Marcelo Martins 11/03/2013 at 11:54 - Reply

    Bárbara,

    Meus parabéns pelo texto. É muito bom para ter uma ideia do preparo que alguém precisa ter (e também o que se pode esperar) em uma start-up.

    Achei uma frase que você citou muito interessante: “Tudo o que se tem de fazer é algo que as pessoas querem.”

    Acredito que na indústria do entretenimento, descobrir o que as pessoas querem é um grande desafio. Por isso existem todas as ferramentas de marketing para tentar “prever” o desejo do consumidor e fazer com que o nosso trabalho gere riqueza.

    No nosso caso de criação de jogos, essa dificuldade é ainda maior. Existe uma questão subjetiva do entretenimento que adiciona uma dose muito grande de imprevisibilidade na venda de um produto. Mesmo jogos consagrados podem vender menos depois de um sucesso anterior, o que não faria sentido algum. O exemplo mais recente que me veio à mente foi o Dead Space 3, que aparentemente vendeu menos que Dead Space 2 e é uma franquia muito respeitada.

    A relação entre qualidade do produto e vendas nem sempre é direta. As pessoas têm percepções diferentes do que é qualidade e, por isso, é tão difícil prever o sucesso ou fracasso de um produto. Isso se aplica não só para jogos, mas para qualquer produto de entretenimento. É uma equação complexa que envolve qualidade, percepção do público, preço e momento histórico.

    Claro, sempre existem alternativas para quem quer fazer jogos. Os produtos direcionados para o mercado publicitário, por exemplo, são feito para resolver um problema (ou uma necessidade) de um cliente. Assim, o fator imprevisibilidade se torna mais fácil de mensurar e os riscos da empresa também ficam menores.

  2. Renato florencia 13/03/2013 at 19:57 - Reply

    caramba não sabia que a barbara era tão pica assim : )

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