O que é uma Startup – Parte final

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Olá, pessoal!

Na postagem anterior contamos com a participação do Pedro Machado da Baykush, e hoje, para finalizar com chave de ouro nossas entrevistas sobre Startups, temos o Maximiliano Marques e o Dario Mesquita da iMAX Games, fundada em São Carlos/SP no ano de 2005 , envolvida em projetos educativos e de entretenimento utilizando-se de tecnologia avançada para jogos eletrônicos, incluindo estruturas (frameworks), Plataformas (integrated machines) e Jogos 2D e 3D com alta definição.

1- Como surgiu a ideia de desenvolver a iMAX?
Dario: Fundada em 2005, a iMAX Games surgiu com o foco inicial para o desenvolvimento de jogos educativos – área onde já realizamos projetos com as principais instituições da região, como a USP, UFSCar e o Sesc – mas, com o tempo a produção foi se diversificando para advergames, jogos para treinamento e para eventos, explorando tecnologias de detecção de movimentos e superfícies sensíveis ao toque com projeções interativas.
Por volta de 2010 nos voltamos também para o desenvolvimento para dispositivos móveis, seja com jogos através do nosso selo Dead Mushroom, ou com aplicativos utilitários para clientes.

2 – A iMAX atua no segmento de mobile games. Porque escolheram esse segmento?
Dario: Esse é um segmento em expansão atualmente. Pesquisas recentes mostram como o público para essa plataforma vem crescendo a cada ano. Há também o fator de distribuição, em que o jogo é publicado sem muita burocracia e com baixo custo em uma plataforma global. É mercado muito dinâmico e instigante, ideal para pequenas desenvolvedoras como a nossa.
Claro, há também fatores instáveis nesse mercado. Ele ainda não está sedimentado e pode sofrer mudanças do dia para noite. A Apple, por exemplo, vem fazendo mudanças finas no sistema de busca da sua loja para controlar aplicativos oportunistas (cópias de outros jogos, que enganam os usuários), e isso afeta indiretamente o desempenho de download de muitos bons apps. Há também o lado do modelo de negócio, que ultimamente vem se voltando para o modelo freemium e propaganda in-game em contra partida ao modelo de app pago. O freemium está dando certo em vários casos, mas ele não é mágico. É preciso planejar muito bem para que um jogo dê lucro, pensar em uma mecânica de game que não force o jogador a comprar itens para experimentar o jogo por completo, algo que nem todos os títulos conseguem.

3 – Qual o grupo fundador e com quantos colaboradores a empresa iniciou as atividades?
Maximiliano: Inicialmente a iMAX surgiu com 5 pessoas, sendo o fundador formado em Engenharia da Computação e outros 4 estagiários, todos também da área da computação. Ou seja, no início não éramos uma equipe multidisciplinar, e toda a arte era terceirizada para freelancers e estúdios de terceiros.

4 – De que forma a escolha dessas pessoas foi determinante para os primeiros passos da empresa?
Maximiliano: A iMAX sempre teve sorte na seleção dos colaboradores. Sempre trabalharam conosco pessoas extremamente capacitadas e principalmente motivadas, tendo os jogos como uma paixão em comum. Isso sempre foi determinante para o sucesso da empresa. Porém, teria sido melhor se desde o início a empresa tivesse condições de ter tido colaboradores de outras áreas, como pelo menos um artista e um game designer.

5 – Com quantos colaboradores a empresa atua hoje?
Dario: Bem diferente do início, onde só tínhamos computeiros, hoje existem 14 colaboradores com perfis bem variados e multidisciplinares, sendo cinco programadores, três artistas (2D e 3D), dois físicos, um psicólogo, um produtor, um assessor de comunicação e um diretor comercial.

6 – A empresa adota algum método para mensurar sua produtividade? De alguma forma mede-se a produtividade individual?
Dario: Aqui na empresa fazemos um controle das horas trabalhadas em cada projeto e uma variação do Scrum como metodologia ágil de gerenciamento de projetos. Diariamente acontece o “Daily Metting”, uma reunião rápida de 15 minutos em que todos relatam o que fizeram, o que irão fazer, e se há algum impedimento. Além disso, são relatas as horas trabalhadas individualmente, que são computadas para cada projeto em andamento. Essas horas, além de proporcionar uma visão individual da produtividade, também ajudam a calcular o tempo demandado para cada projeto e seu custo total por hora trabalhada.
Para o gerenciamento de tarefas usamos o TRAC com o plugin Agilo, onde boa parte da comunicação de tarefas acontece, e por onde os membros podem mensurar visualmente o quanto de tarefas/tickets foram realizadas e o que ainda precisa ser feito.

7 – Qual foi a fonte de capital inicial da empresa?
Maximiliano: Foi usado apenas capital do fundador e de Anjos, no caso parentes.

8 – Como foi gerado o capital para início das atividades dessa empresa?
Maximiliano: O aporte inicial foi de R$ 150 mil no ano de 2005. Esse dinheiro foi suficiente para rodar a empresa por 12 meses, pois praticamente não faturamos no nosso primeiro ano devido ao foco exclusivo em jogos educativos.

9 – Alguma vez está empresa esteve próxima do esgotamento de recursos? Se sim, a que atribui isso? Maximiliano: Qual a estratégia adotada para resolver este problema?
Dario: Sim, com certeza. Acho que qualquer empresa passa por isso antes de atingir uma certa estabilidade. Toda empresa precisa de um pouco de sorte e muita insistência. Sempre que o fluxo do caixa esteve baixo começamos reduzindo gastos, mas nunca precisamos demitir ninguém por esse motivo, e diversificamos nossa oferta de serviços para clientes já estabelecidos.

10 – Na opinião de vocês, a que se deve o sucesso da iMAX?
Dario: Somos uma empresa como uma forte vocação para projetos inovadores, oferecendo serviços e produtos que implicam na busca de soluções criativas e inéditas para nossos clientes, e, especialmente para o usuário final de nossos projetos. Temos por trás de cada produto uma equipe dedicada, multidisciplinar e inquieta por inovar e aperfeiçoar o que já existe no mercado. Não importa se o desafio proposto é simples ou complexo, sempre buscamos adicionar algo de novo nele para lhe proporcionar um diferencial.

11 – Algum conselho ou mensagem a dar a desenvolvedores que aspirem chegar aonde estão hoje?
Dario: Dedicação pelo que faz, trançando objetivos claros de onde quer chegar. Pois, ter uma meta lhe instiga mais ainda a continuar seu trabalho. Ser também teimoso, mas não aquele teimoso que insiste nos erros, cabeça-dura. Falo em ser alguém que não desiste fácil, que aprende com as falhas na busca de fazer o melhor na próxima ação. E, especialmente, ser uma pessoa disposta a enfrentar diversos desafios, seja encarando um projeto inovador ou as dificuldades do dia-a-dia. É preciso ser destemido.

E… finalmente, para nunca mais lerem de mim nada a respeito de Startups (exceto no nosso fórum :) ), convido vocês a “concluirem” comigo o artigo “O que é uma Startup”, com comentários sobre a relação do que foi dito nas entrevistas com as duas postagens iniciais e com observações do que mais pode ser aprendido com as palavras destes profissionais. Espero as suas considerações!

Até lá, para os que permanecem famintos por conteúdo de qualidade (e links de jogos gratuitos), segue o site da iMAX:
www.imaxgames.com.br

Autor: Bárbara Bueno Ver todos os posts de
Sou Bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade do Vale do Sapucaí (Univás), Coach pelo Instituto Brasileiro de Coaching - IBC e, além de exercer as atividades de coach e assessora administrativa e contábil como autônoma, atuo no mercado de personalizados como sócia-diretora da Bigcat Artigos Personalizados. Explorando minha veia artística, tive alguma experiência na realização de projetos gráficos, impressão off-set e, em projetos escolares, no processo de criação e edição de vídeos educativos. Contudo, meu ponto forte reside na escrita, desenvolvida desde a infância e premiada pelo SESC Santo Amaro em 2003. Possuo mais de 30 personagens, envolvidos numa série de histórias de ficção. Jogadora hardcore e defensora de graphic adventures no estilo point and click, estudo o mercado e técnicas de desenvolvimento de games, a fim de ver gameficada a minha criação.

4 Comentários em "O que é uma Startup – Parte final"

  1. Leandro Vian 26/06/2013 at 08:39 - Reply

    Oi Bárbara, passei pra dizer que gostei da série de posts sobre startups. Eu estou vendo sobre a possibilidade de entrar em uma incubadora da faculdade, então foi muito útil ler a respeito e ver a opinião de outras pessoas que fizeram o mesmo.

    Espero que não desanime pelo fato do pessoal não comentar muito ;)

    abraço

  2. Bárbara 28/06/2013 at 05:28 - Reply

    Obrigada, Leandro!
    Fico muito feliz que tenha gostado.
    E não se preocupe, não desanimo, não.
    Além de eu mesma aproveitar muito a oportunidade de fazer estas entrevistas, estou trabalhando em medidas para “soltar a língua” do povo, por bem ou por mal, mwahahaha!

  3. William Sales 09/06/2014 at 18:39 - Reply

    Olá Bárbara, achei muito interessante toda essa matéria sobre startup. Eu ainda fiquei na dúvida em alguns pontos (Vou me citar como exemplo, rs) :

    1 – Eu tenho um pequeno grupo formado com alguns amigos da faculdade na qual estamos trabalhando em alguns projetos (Todos são nossas criações) e pretendemos abrir uma empresa. Esse conceito de startup seria o ideal para nós que buscamos esse objetivo?

    2 – O que diferencia uma microempresa de uma startup?

    Desde já agradeço pela atenção e parabéns mais uma vez pelas excelentes matérias. :D

  4. Bárbara Bueno 19/06/2014 at 11:19 - Reply

    Olá, William!
    Na constituição da empresa e nos documentos dela uma Startup será uma micro ou pequena empresa como outra qualquer. O que a diferencia é a forma como funciona, por exemplo um mercadinho não poderá ser uma Startup, pois o negócio dele não é repetível (estoque limitado), nem escalável e gera valor muito mais sobre as mercadorias do que sobre o trabalho (mesmo que se argumente que o trabalho será um diferencial).
    Uma startup, além de ser pequena deve gerar riqueza através do trabalho, criando produtos que sejam repetíveis (ou seja, um mesmo produto pode ser entregue milhares de vezes), escaláveis (o lucro advindo do produto vendido aumenta em proporção muito maior que seus custos a cada unidade vendida), e por fim, a impossibilidade de certeza de sucesso do projeto (ou seja, risco maior do que os dos negócios tradicionais).

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