Pixel Art, uma breve abordagem

Olá pessoal, Samuel Salomão, nosso artista digital,  está de volta aqui no Abrindo o Jogo. Desta vez ele nos traz um interessante artigo sobre Pixel Art. Vamos conferir.

Olá a todos, prosseguindo a abordagem artística dos games aqui no Abrindo o Jogo, o artigo de hoje abordará de forma geral a pixel art. Para começar, apresento uma breve definição do pixel, o componente básico da Pixel Art.

O pixel é o que podemos chamar de o menor elemento em que se pode atribuir uma cor em um dispositivo eletrônico visual, é pela existência dele que foi possível visualizarmos as primeiras formas que representavam os ambientes e avatares apresentados nos games. Claro que nos primórdios dos games, precisávamos de muita imaginação para enxergar um personagem ou um veículo naquele amontoado de quadrados apresentados na tela. Apesar de enxergarmos um quadrado, o pixel não necessariamente possui essa forma. Cada pixel é um ponto formado por um conjunto de três pontos, vermelho, verde e azul ou Red Green and Blue: o famoso sistema de cores RGB. Esse sistema é capaz de gerar 256 tonalidades variantes das três cores originais e combinando estas tonalidades, é possível exibir algo em torno de 16 milhões de cores diferentes.

Mistura de cores RGB – Adventure (Atari 1980)

Os gráficos dos games são gerados através de imagens pré-renderizadas, conhecidas como imagens Bitmaps. Como sugere o nome, as imagens bitmaps são um mapa de bits que contém as informações sobre a posição de cada pixel. Este esquema de disposição se dá através do número binário atribuído a cada cor, o resultado é similar a um mosaico, uma antiga forma de arte onde são usadas tesselas para criar imagens, desta forma nasceu a Pixel Art, que utiliza o mesmo principio para criar os gráficos que conhecemos.

Mosaico do império Bizantino

O conceito de Pixel Art foi abordado pela primeira vez por Richard Shoup em seu software SuperPaint (MAC) em 1972, porém o primeiro registro do termo “Pixel Art” é de 1982, quando foi citado por Adele Goldberg e Robert Flegal em uma compilação de artigos editada pela Associação para Maquinaria da Computação. Basicamente a Pixel Art pode ser definida como a criação ou edição de uma imagem a partir da alocação de cada pixel.

Hoje ela pode ser criada a partir de qualquer programa de edição de imagens Bitmap, de preferência os que permitam trabalhar com zoom ampliado a um nível que possa haver a liberdade de edição de cada pixel individualmente. Os softwares mais comuns para a criação de Pixel Art são: Photoshop, Fireworks, Corel Photopaint e ainda os de mais fácil acesso, como: Paint e GIMP.

Nos modelos mais antigos de games, como o Atari 2600, por exemplo, os gráficos gerados através da Pixel Art não utilizavam contorno nos elementos, fato este, que exigia que o contraste entre as cores dos objetos e cenários fosse suficientemente forte para que se destacassem na tela. Devido ao número reduzido de cores que o console utilizava na época, era muito comum topar com jogos que possuíam uma combinação de cores não muito agradável.

Star Wars: Empire Strikes Back (Atari -Parker Brothers, 1982)

A evolução veio com o aumento do número de cores que os consoles sucessores agregaram, sendo possível visualizar um grande salto de qualidade com o surgimento dos consoles de 8-bits. No entanto, foi nos consoles de 16-bits que ficou clara a diferença que a utilização de contorno nos elementos apresentados, somado a maior variedade de cores, fez para uma visualização da tela. A imagem gerada não exigia um grande esforço dos olhos por não trabalhar necessariamente com um contraste forte entre as cores, além de atenuar os elementos com a utilização de um contorno mais escuro. Para quem passava muitas horas na frente da TV, esse avanço trouxe benefícios à visão, além de deixar o visual dos games mais bonitos.

Double Dragon 2 (NES – Acclaim,1990) Sonic Blast Man (Nes -Taito, 1994)

A evolução gráfica dos games não parou e em meados dos anos 90 com o crescimento dos jogos com gráficos tridimensionais no mercado, os Pixel Art foram substituídos por polígonos gerados por vetores e aos poucos a arte de desenhar ponto a ponto foi perdendo força para os modelos tridimensionais. Durante algum tempo a aplicação da arte dos pixels se resumiu a criação de ícones para sistemas operacionais e a criação de peças publicitárias para web. Hoje no mundo dos games, os pixels são aplicados na criação de jogos para celular, pois a baixa resolução e a pouca memória dos aparelhos faz com que os jogos devam ser leves, o que torna a Pixel Art a melhor opção gráfica para esse nicho. Vale salientar que o mercado para jogos de celular está crescendo cada vez mais no Brasil, sendo esta uma grande porta para quem quer entrar no ramo de desenvolvimento de games no nosso país.

Game para celular Prince of Persia The Two Thrones

Curiosidades:

Pixel Art nas ruas:

O artista Arno Coenen materializou a Pixel Art criando murais com imagens de conhecidos personagens do mundo dos games utilizando a técnica do mosaico.

Lara Croft por Arno Coenen Donkey Kong por Arno Coenen

Mais Imagens podem ser apreciadas aqui:

http://www.rockandroyal.com/

Materializando a Pixel Art:

Com paciência e algumas peças de Lego é possível! Confira o vídeo tutorial de como montar o seu próprio Super Mario e o Link do Clássico Zelda:

Mario Lego
Link Lego

A nossa abordagem no mundo da Pixel Art não acaba aqui! Em breve, confira aqui como criar objetos utilizando Pixel Art. Até mais!

Imagens de referência:

Ilustração: Marcos Götze

Autor: Everton Vieira Ver todos os posts de
Sou Bacharel em Análise de Sistemas pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel) no ano de 1999. Minha paixão por games é de longa data. Porém, em 2003 tornei essa paixão uma profissão. Durante oito anos atuei como Game Designer e Arquiteto de Software em mais de 30 projetos de Serious Games (simuladores) para grandes empresas do país. Atualmente sou sócio-fundador da Izyplay Game Studio, onde exerço o cargo de Diretor de Criação. Além do envolvimento corporativo, também participei da organização da Pós Graduação em Arquitetura e Desenvolvimento de Jogos Digitais na FATEC SENAC Pelotas. Minha área de interesse e especialização é Game Design e Inteligência Artificial.

2 Comentários em "Pixel Art, uma breve abordagem"

  1. Lionay 09/12/2009 at 20:14 - Reply

    Muito boa a matéria !

  2. Bárbara 31/10/2011 at 22:14 - Reply

    Olá, Samuel!

    Pelo o que vi você iniciou por aqui com pixel art e depois se voltou para o 3d.

    Não abandona os pixels não!
    Eu tive experiências com art pixel num programinha chamado CharaMaker, onde era muito difícil fazer characters. Acabava que eu fazia só uma imagem e eu gostaria muito que você retomasse falando de animação com pixels.

    Seu tutorial já me fez perceber que usei demais uma ferramenta limitada e que poderia ter tido progressos muito maiores. Nem sequer pensei em usar uma base que já não fosse um pixel art (provavelmente porque o programinha nem tinha sistema de camadas).

    Porque todo mundo só quer saber de 3d? Art Pixel é incrível!

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