Roteiro: Games e Quadrinhos (Parte 1)

Roteiro Games e Quadrinhos

Olá, pessoal!

Eu não sou o Thiago Spyked e esse não é o CrasConversaOficial, mas ao longo de 5 fins de semana, durante os meses de agosto e setembro, tive a oportunidade de ter aulas de roteiro com este quadrinista, e vou transcrever para cá (sucintamente e sem o carisma do professor) alguns dos seus ensinamentos que podem nos servir muito bem no universo dos games e na vida.

A cada dia de aula, ele sugeriu uma frase para reflexão. São elas:
Frase 1: “A realidade é apenas uma grande conclusão”
Isso não significa literalmente que a realidade não é real, mas apenas que a realidade de cada pessoa está limitada à forma como ela a percebe. Isso implica em muitas coisas, como por exemplo, que nada pode ser definitivamente certo ou errado. E saber disso é muito útil tanto no sentido de permitir que nos livremos de alguns dos nossos preconceitos e das limitações que eles acarretam, como na hora de pensar em personagens que divergem de opinião e lutam por ideologias opostas, sem que um dos lados tenha uma argumentação fraca.

Frase 2: “A realidade não precisa fazer sentido. A ficção sim”
Essa afirmação não só é muito válida na intenção de se criar histórias e mundos plausíveis e de melhor aceitação na ficção, como para nos fazer observar como coisas do mundo real são arbitrárias, e talvez até utilizar essas injustiças ou incoerências como motivação para produzir algo que conscientize e manifeste no jogador atitudes contrárias a essas arbitrariedades.
Junto desta afirmação, foi ressaltado que o “Sentido” na vida é a sobrevivência e a reprodução (que, no meu ponto de vista, também é sobrevivência, mas enquanto espécie ao invés de enquanto indivídup), porém, segundo Freud, devido à capacidade de pensar também temos como sentido nos sentirmos grandes. Dessa forma criam-se discursos, ou seja, comportamentos que comunicam nossos valores (roupas, acessórios e atitudes).
Bons personagens também anseiam por ser grandes e também se apropriam de suas formas de discurso.

Frase 3: “Comunicação não é o que você fala, mas o que os outros entendem”.
O cérebro funciona por assimilação e aproximação com aquilo que já é conhecido. Na aproximação, a primeira coisa a que tentamos aproximar é a nós mesmos.
É importante observar isso tanto na questão do roteiro como na comunicação com a equipe de produção do game, pois ter essa consciência pode facilitar a comunicação, além de criar histórias de melhor entendimento.
Nesse ponto, o Thiago trouxe a nós a diferença entre ícone e símbolo, sendo:
Ícone: uma imagem que evoca alguma coisa e a representa. A ideia simplificada de algo.
Simbolo: também evoca algo, mas depende da cultura e da história. Por exemplo, a suástica é um simbolo que evoca o nazismo.

Frase 4: “Querer ser alguma coisa não é nada além de uma ilusão se isso não significar querer se preparar para ser essa coisa”.
Um grande chamado para ação (também conhecido popularmente como “tapa na cara”). Para nós aspirantes é uma boa recordação de que se não estudarmos e praticarmos nossos estudos não atingiremos nossos objetivos. Para nossos personagens, uma lembrança de que se não estiverem se preparando para o desfecho da história, então não está acontecendo nada.

Frase 5: “Conhecimento serve para libertar você. Nunca para escravizá-lo”
Lembram-se da conhecida frase de que “conhecimento é poder”? Mas aqui o professor chamou a atenção a duas armadilhas em que culturalmente caímos com frequência. São elas:
O Pensamento elitizado, no qual recusamos as coisas “muito manjadas”, “da massa”, “do povão”, aquelas que estão muito pop, e que podemos assumir (Por preconceito e arrogância) que não tem conteúdo. (Normalmente são aquelas coisas que um montão de gente gosta e um tempo depois tem vergonha de falar que gosta. Bons exemplos são a Saga Crepúsculo e o autor Paulo Coelho); e o Cinismo social, que rolou de montão agora durante as eleições (e ainda está rolando). Graças a ele podemos observar muitas pessoas dizendo “o povo é muito ignorante”, “brasileiro é tudo burro” e ao mesmo tempo não se considerarem parte deste povo ignorante e burro, sendo que se todas as pessoas que se apropriam deste discurso estivessem certas sobre si mesmas, não estariam certas sobre a afirmação que fazem sobre o coletivo de que fazem parte. O errado sempre é o outro e por isso ninguém toma uma iniciativa própria para melhorar as coisas (e quando toma, acaba piorando, porque só é capaz de enxergar um lado da história).

“Nunca usem o que vocês sabem como arma”.
Thiago Spyked

Além dessas reflexões, o Thiago também deu grandes dicas sobre criação de personagens e elementos de bons roteiros, baseadas em teorias que estudou e em sua experiência com os quadrinhos. Para não simplesmente despejar 15 horas de aula em vocês de uma vez só, aguardem que essas informações virão nos próximos dias.
Sendo assim, “estamos conversados….”

“…Por enquanto.”

Autor: Bárbara Bueno Ver todos os posts de
Sou Bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade do Vale do Sapucaí (Univás), Coach pelo Instituto Brasileiro de Coaching - IBC e, além de exercer as atividades de coach e assessora administrativa e contábil como autônoma, atuo no mercado de personalizados como sócia-diretora da Bigcat Artigos Personalizados. Explorando minha veia artística, tive alguma experiência na realização de projetos gráficos, impressão off-set e, em projetos escolares, no processo de criação e edição de vídeos educativos. Contudo, meu ponto forte reside na escrita, desenvolvida desde a infância e premiada pelo SESC Santo Amaro em 2003. Possuo mais de 30 personagens, envolvidos numa série de histórias de ficção. Jogadora hardcore e defensora de graphic adventures no estilo point and click, estudo o mercado e técnicas de desenvolvimento de games, a fim de ver gameficada a minha criação.

5 Comentários em "Roteiro: Games e Quadrinhos (Parte 1)"

  1. Thiago Spyked 12/11/2014 at 23:03 - Reply

    Pouxa, acho que foi a melhor resenha que eu já li sobre minhas aulas. Nota 10! Você assimilou bem, hehehe… ou melhor… vou dar 9,5 pra não te permitir cair no comodismo.

    Obrigado pela homenagem e espero de coração ter contribuído com algo para você com minhas aulas.

    • Bárbara Bueno 14/11/2014 at 15:59 - Reply

      Opa, Thiago obrigada!
      E em relação a nota, ainda vem ai a segunda parte pra eu tentar conseguir o 10. ;)

  2. Danilo Hasor 14/11/2014 at 11:30 - Reply

    Puxa ! Que bacana e falando isso literalmente pois estive nas aulas que sinceramente foram bem interativas e informativas de uma maneira bem descontraída, onde o aluno prestava atenção e queria sempre saber mais, ouve até uma hora que pensei “Poxa queria que mais pessoas estivessem nessas aulas agora, pois são de grande ajuda e fáceis de se entender e compreender” e veja só, aqui está uma parte resumida da melhor forma possível, gostei da iniciativa, queria eu ter um método de ensino e mais professores assim na minha época de escola, sinceramente e sem puxar saco, parabéns ao Thiago-sensei e a senhorita Bárbara-sempai.

    • Bárbara Bueno 14/11/2014 at 16:00 - Reply

      Foram mesmo bons momentos. Tanto pelo conteúdo, que é o que eu posso resumir e passar para o pessoal, quanto pela companhia, que daí os únicos privilegiados somos nós!

  3. bala 07/12/2014 at 09:34 - Reply

    Olá, como vai você Bárbara Bueno feliz em te ver, eu estou tentando o acesso a seu fórum sites, mas não é no trabalho

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