Roteiro: Games e Quadrinhos (Parte 2)

Roteiro Games e Quadrinhos

Olá, pessoal!

O ano tá acabando, e pra não fazer um monte de resoluções de ano novo que sejam só concluir as coisas que ficaram inacabadas em 2014, vou encerrar com vocês aquele resumão do que aprendi nas aulas de roteiro com o Thiago Spyked, lá na oficina de quadrinhos da Biblioteca Paulo Setúbal.
Dessa vez vou falar de personagens e roteiros propriamente ditos.

PERSONAGEM

É o responsável por movimentar a história, e, por isso, não há história sem personagem. Inclusive, a palavra personagem está associada a personificação e à personalidade (ter personalidade é ter atitude, ou seja, ação e reação).

“O bom personagem é aquele que age, não aquele que só reage.”
Thiago Spiked

Dito isto, ao criar ações e reações para seus personagens é interessante pensar também em suas motivações.
Durante o curso, foi apresentada uma pesquisa que dizia que a personalidade de um indivíduo é composta 2% daquilo que já nasce com a pessoa e 98% do determinismo.
Se isso for correto, então criar ambientes e traumas que justifiquem as ações do personagem, ou ações coerentes com os fatos do passado dele, o tornarão muito mais verossímil. É importante se questionar em que mundo ele está inserido.
Segundo o Thiago, a melhor forma de se criar um personagem é dar a ele uma peculiaridade (um grande sonho, um tique, uma característica física bem fora do comum…). E normalmente o peculiar (ou MAIS peculiar) é o protagonista, e o coadjuvante o complementa, o enaltecendo, realçando suas características principais (ex: Garfield, astuto, frio e preguiçoso, e Odie, burro, carinhoso e energético).
Protagonistas e coadjuvantes podem ter a mesma característica marcante, desde que se enalteçam. E o ambiente também deve servir com este propósito.
Outra dica para a criação de personagens é pensar em seus aspectos físicos e psicológicos (lembrando que devem ser atrelados). Para personagens antropomórficas (animal humanizado), o animal é escolhido em função da personalidade que se dará à personagem, e para ele não ser um simples bichinho, além da postura humana, deve ter polegares.

ROTEIRO

É a lógica com que você conta uma ideia para que as pessoas entendam. Ele deve fazer e respeitar uma Proposta.
Ela é que contextualiza a história que será contada e prepara o o leitor/jogador/espetador (variações por minha conta) para interagir da forma correta com o que será passado para ele.
Por exemplo, se a proposta é causar medo, se isso não acontecer o roteiro será considerado ruim. Por outro lado, como diz o Thiago: “Ninguém vai dizer que um filme de terror é ruim, porque não é engraçado.”
Vocês podem ver o próprio falando da Proposta do Roteiro no canal dele no Youtube.
Outras dicas dadas por ele são:

  • TODA história tem começo, meio e fim. Para escrever qualquer história é importante saber desde o início como será o começo e o fim, senão o risco de não conseguir terminá-la ou terminá-la sem pé nem cabeça é muito grande.
  • Nunca faça o final em que tudo foi um sonho.
  • Tudo deve ser relevante para a compreensão do leitor, ou seja, não devem existir cenas sem relevância.
  • Conceitos complexos podem ser utilizados, desde que quem não entenda possa passar batido por eles e compreender a história como um todo.
  • A melhor referência de todas é o mundo ao seu redor.

Para ajudar na questão da história ter começo meio e fim, uma técnica é utilizar a estrutura chamada de Paradigma do Roteiro. Ela é basicamente a estrutura de roteiro em 3 atos que vimos antes, porém determina também dois pontos de virada entre cada ato, sendo o primeiro o surgimento da premissa dramática e o segundo o momento em que se tem a ideia para a solução do problema.
Além do paradigma do roteiro, para histórias de aventura também contamos com a Jornada do herói.
Ela é uma espécie de receita com 12 passos, sendo eles (alguns não estão com os nomes corretos, mas o conceito está):

Mundo Comum (vida comum)
Chamada a aventura: algo inesperado acontece que mobiliza o herói (no paradigma do roteiro é o ponto de virada) – normalmente esse chamado ocorre por parte do mentor.
Recusa;
Decisão: é nesse momento que o protagonista se torna herói.
Travessia: aqui ele conhece amigos, inimigos e passa do mundo comum para o mundo fantástico.
Encontro: é o momento em que descobre a fortaleza do vilão.
Crise extrema: é o momento em que acontece a situação ruim e o herói pensa em desistir.
Fight: Provação máxima, a luta com o vilão.
Recompensa: O que o herói conseguiu vencendo.
10º O caminho de volta.
11º Depuração: resolução de algum conflito secundário que estava sem resolução.
12º Retorno transformado: o que acontece quando chega em casa.

Fazendo um paralelo com o paradigma do Herói:

  • 1º ao 4º momento = Início
  • 5º ao 7º = meio
  • 8º e 9º = fim
  • E o resto é epílogo

Como a jornada do herói é recomendada para o gênero Aventura. As observações para outros gêneros foram:

  • Ação: “pau comendo, ação frenética, testosterona, efeitos especiais”
  • Drama: “Nós ainda nos compadecemos com as mesmas coisas do passado. Morte de ente querido, solidão, etc…”
  • Humor: Tem haver com a cultura, a região em que o roteirista vive. “humor, assim como o drama tem de ser real, em situações reais”. Humor e tragédia são faces de uma mesma moeda. “Há uma linha tênue entre eles”.
  • Terror: Baseia-se no medo. E para que este ocorra é necessário convencimento.

Espero que este grande apanhado de informações possa ser útil para vocês como as aulas foram para mim.
Ano que vem volto com mais técnicas de roteiro, mas por hora, desejo a vocês boas festas!

Autor: Bárbara Bueno Ver todos os posts de
Sou Bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade do Vale do Sapucaí (Univás), Coach pelo Instituto Brasileiro de Coaching - IBC e, além de exercer as atividades de coach e assessora administrativa e contábil como autônoma, atuo no mercado de personalizados como sócia-diretora da Bigcat Artigos Personalizados. Explorando minha veia artística, tive alguma experiência na realização de projetos gráficos, impressão off-set e, em projetos escolares, no processo de criação e edição de vídeos educativos. Contudo, meu ponto forte reside na escrita, desenvolvida desde a infância e premiada pelo SESC Santo Amaro em 2003. Possuo mais de 30 personagens, envolvidos numa série de histórias de ficção. Jogadora hardcore e defensora de graphic adventures no estilo point and click, estudo o mercado e técnicas de desenvolvimento de games, a fim de ver gameficada a minha criação.

2 Comentários em "Roteiro: Games e Quadrinhos (Parte 2)"

  1. Fernando Mondo 16/02/2015 at 13:03 - Reply

    Adorei este teu “resumão”, fica aqui meu incentivo para você fazer mais posts como esse, com um maior aprofundamento.

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