Roteiro: os atalhos da percepção

Sherazade 6

Oi, turma!
Sei que parece, mas não morri, não sumi, só tenho corrido muito.
Meio ano depois, o que trago para vocês são trechos do texto “Comunicação: Entender, Ouvir e Falar” da Fátima Patz, que é PMP e Coach. Eu a conheci estudando Gerenciamento das Comunicações em Gestão de Projetos.
“Poxa, então porque esse conteúdo está aqui “tagueado” como roteiro?”
Porque quando eu estava estudando só conseguia pensar em contar para vocês os insights que ele me deram.

Segundo Fátima Patz,

“percepção pode ser definida como um mecanismo pelo qual indivíduos organizam e interpretam suas impressões sensoriais a fim de dar sentido ao seu ambiente. Entretanto o que alguém percebe pode ser substancialmente diferente da realidade objetiva e a interpretação é fortemente influenciada pelas características pessoais do individuo que o percebe. As características pessoais que mais fortemente influenciam a percepção são: as motivações, os interesses, as experiências passadas e as expectativas.”
Como podem ver são os princípios de comunicação que orientam aquela máxima do Marketing de que devemos sempre definir um público alvo durante a criação de um produto. Quando o produto é um roteiro isso é especialmente verdade.
Se as motivações, interesses e experiências das pessoas mudam a forma como as pessoas percebem aquilo que presenciam no seu game, é fundamental levar isso em conta na hora de mostrar para o jogador sua história.
As motivações dos seus personagens fazem sentido para seus prováveis públicos? Esses públicos tem as experiências certas para entender o que não foi dito, mas é importante nessa história? E mais: seu personagem tem os interesses, motivações e experiências adequados para perceber as coisas como percebe e fazer as coisas que faz?
Essas são apenas algumas das perguntas que podem ser feitas levando isso em consideração. E perguntas como essas com certeza podem enriquecer seu roteiro.

Fátima Patz, ainda chama a atenção para o fato de que nosso cérebro precisa usar alguns “atalhos” no processo de ouvir, já que enquanto o fazemos costumamos ser bombardeados por pensamentos e muitas vezes pela ansiedade por nossa vez de falar. Esses atalhos são “técnicas individuais para facilitar o trabalho de perceber e interpretar os outros”. Entre elas encontramos:

Percepção Seletiva: “Qualquer característica que faça uma pessoa, objeto ou evento sobressair, porque é impossível assimilarmos tudo que vemos; captamos apenas certos estímulos. Como não podemos captar tudo que vemos, pegamos uns pedacinhos aqui, outros ali, porém estes pedacinhos são escolhidos de acordo com nossos interesses, formação, experiência e atitudes. Desta forma podemos tirar conclusões não garantidas de uma situação ambígua”.

Efeito de Halo: “Impressão geral sobre um indivíduo com base em uma única característica, propagação de uma virtude ou defeito sobre o julgamento geral da pessoa”.

Efeito de Contraste: “Não avaliamos uma pessoa isoladamente, estamos sempre fazendo comparações. Ex. fazer uma apresentação, depois de outra muito boa ou muito ruim, irá alterar a forma como a sua será vista. Se uma pessoa fala com entusiasmo tenderemos a olhar a informação dela com mais atenção do que outra pessoa falando mais serenamente”.

Projeção: “Julgar os outros presumindo que eles são como nós. Tendência de atribuir as próprias características a outras pessoas. Neste caso tendemos a achar que as pessoas são mais homogêneas do que elas realmente são”.

Estereótipo: “Julgar pessoas com base no grupo ao qual esta pessoa pertence. Expandir pré-conceitos (bons ou ruins) do grupo social, ético, cultural, comportamental, minorias…”

Sabendo nosso cérebro pega esses atalhos para perceber e interpretar, o bom roteirista deve conhecê-los e fazer uso deles para dar ênfase nos elementos relevantes da história que conta.

E por fim, a autora diz que “uma escuta efetiva significa ouvir o que o outro diz e o que ele não diz, observar seus gestos, tom de voz, expressão corporal, pausas, olhar. Significa perceber a coerência entre o que a boca fala e o que o corpo fala.
No texto, ela chama a atenção para a forma como devemos nos portar quando recebemos a mensagem, mas resolvi citá-la aqui para lembrar vocês enquanto comunicadores escrevendo um roteiro de oferecer para seu jogador todos estes aspectos para ele “ouvir”.

Autor: Bárbara Bueno Ver todos os posts de
Sou Bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade do Vale do Sapucaí (Univás), Coach pelo Instituto Brasileiro de Coaching - IBC e, além de exercer as atividades de coach e assessora administrativa e contábil como autônoma, atuo no mercado de personalizados como sócia-diretora da Bigcat Artigos Personalizados. Explorando minha veia artística, tive alguma experiência na realização de projetos gráficos, impressão off-set e, em projetos escolares, no processo de criação e edição de vídeos educativos. Contudo, meu ponto forte reside na escrita, desenvolvida desde a infância e premiada pelo SESC Santo Amaro em 2003. Possuo mais de 30 personagens, envolvidos numa série de histórias de ficção. Jogadora hardcore e defensora de graphic adventures no estilo point and click, estudo o mercado e técnicas de desenvolvimento de games, a fim de ver gameficada a minha criação.

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